Bruno Scalco Franke – 5º Ano/Noite
No dia 31.03.2009, há mais de um mês, portanto, aconteceu, no Salão Nobre da Faculdade de Direito, uma Assembleia Geral de Estudantes que decidiu o posicionamento do Centro Acadêmico André da Rocha perante a questão dos cursos de especialização dentro da Faculdade.
Escrevo estas singelas palavras para contar aos colegas o resultado dessa Assembleia. Pela maioria dos presentes ficou decidido que o Centro Acadêmico André da Rocha, e, portanto, o corpo discente da Faculdade por ele representado, concorda com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que declarou inconstitucional a realização de cursos pagos dentro da Faculdade, assumindo, assim, uma postura contrária aos referidos cursos. Consequentemente, o CAAR não será assistente da UFRGS no processo em que houve essa decisão, conforme havia sido solicitado pela Direção da Faculdade e pelos coordenadores dos cursos.
Não entrarei no mérito da decisão, pois isso já foi feito oportunamente, através de um abaixo-assinado solicitando prazo maior para a discussão do tema e de uma carta aberta aos estudantes da Faculdade, elaborada em conjunto com demais colegas. Levanto aqui uma outra questão: qual a importância dessa decisão?
Não se sabe. Talvez em pequenos círculos haja a discussão sobre o que aconteceu, mas não há notícia da repercussão dos estudantes da Faculdade de Direito da UFRGS terem se posicionado contra os cursos de especialização. Não há notícia porque não houve notícia. Mais de um mês depois da Assembleia Geral, nem uma linha sequer foi escrita publicizando a decisão, mostrando qual o posicionamento que os estudantes decidiram que sua entidade representativa deveria adotar.
E isso me faz pensar. Já houve notícia da retirada do nome do CAAR do SPC/SERASA, já houve longa e detalhada explicação sobre a sistemática e a fundamentação da cobrança de estacionamento durante os Caarbarés, já houve divulgação de uma revista científica, e divulgação de atividades diversas, já houve notícia de outras inúmeras coisas, todas com sua devida importância, mas nem uma única linha sobre essa importante decisão dos estudantes.
Isso me fez pensar em qual a importância que a atual gestão deu para a decisão dos alunos, reunidos no seu órgão deliberativo máximo. E, assim, fui pensando em qual a importância que a atual gestão dá para órgãos deliberativos de maneira geral. Cinco meses se passaram desde o começo de seu mandato, e, até agora, nenhum Conselho Geral de Representantes foi convocado, seja para tomar a prestação de contas da gestão anterior, seja para ouvir os pleitos e relatos dos líderes de turma e representantes discentes, seja para eleger comissão editorial da revista científica dos estudantes ou de seu jornal. Na verdade, optou-se por não eleger essas comissões em CGR, mas sim em reuniões ad hoc, convocadas alguns dias antes pela gestão.
Definitivamente não posso reclamar que as coisas não estão sendo feitas pela atual gestão, porque estão. Há jornal, há revista, há eventos. Mas posso, e assim o faço, ciente de que os colegas da gestão encararão isso como uma crítica construtiva, questionar a maneira como tudo isso está sendo feito. Não há dúvidas que as coisas funcionam melhor com poucas pessoas opinando, com um pequeno grupo gestor indicando as decisões a serem tomadas e outro pequeno grupo executando-as. Entretanto, arrisco o palpite de que os estudantes da Faculdade querem ser atores, com papel ativo, e não “clientes” de seu Centro Acadêmico. Os estudantes querem que os espaços deliberativos e democráticos não sejam esquecidos, e em não sendo esquecidos, que suas deliberações tenham efeitos práticos, que a gestão observe suas decisões.
Após um processo eleitoral histórico dentro da Faculdade, em que quase a totalidade dos alunos expressou seu voto, e que o CAAR esteve na ordem do dia de todas rodas de conversa; após um momento ímpar de participação política dos estudantes de nossa Faculdade, está havendo um silêncio, um recesso na participação dos alunos, um movimento de retração que talvez não seja patrocinado pela atual gestão, mas que, certamente, não é por ela combatido.
Para além do que já foi exposto, observo ainda que os representantes discentes eleitos proporcionalmente pela chapa vencida nas eleições para a executiva do CAAR não foram em nenhum momento convidados a se reunir com a atual gestão para delinear políticas de atuação conjunta dentro dos departamentos. Que “construção” é esta, da qual representantes legitimamente eleitos não são convidados a fazer parte?
Espero que estas críticas possam servir para ajudar a gestão a se tornar mais participativa, e não apenas dê ensejo a uma resposta feroz, ou com argumentos de autoridade e legitimidade institucional, a exemplo do que tem sido feito a respeito das demais críticas (mais ou menos pontuais) encaminhadas à gestão.